A dimensão da tragédia que se abateu sobre o Haiti na tarde de terça-feira impressiona e entristece. Por que um terremoto de de 7,3 graus na escala Richter num país já tão pobre e carente.
As imagens captadas por fotógrafos e cinegrafistas são impressionantes. Braços e pernas cobertos por escombros de prédios são impactantes. Brasileiros vítimas do tremor aproximam a tragédia de nós, aqui no sul do continente.
Fiquei sabendo do terremoto ainda na noite de terça-feira, mas, assim como todos, percebi a dimensão no dia seguinte. No meio da manhã, a notícia da morte da médica sanitarista Zilda Arns, 75 anos, da Pastoral da Criança. Estava no país caribenho para ajudar a mudar a situação de crianças que perecem por falta de cuidados básicas e comida.
Estive na presença dela duas vezes, a última em 26 de junho de 2007, num evento da PUC de Porto Alegre. A mais marcante, porém, foi a primeira. Em 4 de agosto de 2006, conversei com ela e com o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Dadeus Gring, em Porto Alegre, em um evento da Igreja Católica.
Com um sorriso frequente no rosto, ela falava sobre as metas de Pastoral da Criança para o país. Os olhos brilhavam com os números alcançados desde a fundação, em 1983, mas ela sabia que era preciso mais. Por isso, não me surpreendeu que ela morresse no Haiti. Estava onde as crianças precisavam.
Da reportagem que escrevi na época, para o Correio do Povo:
“No país, são acompanhadas 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos em 4.023 municípios. De 1991 a 2005, a mortalidade das crianças atendidas pela entidade caiu no país de 51 por mil, para 15 por mil nascimentos. “
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Post Nº 40